Ganhos de competitividade
No Brasil, inicialmente, acreditou-se que a abertura econômica
pudesse garantir ganhos de competitividade para a indústria
e a sua melhor inserção no comércio internacional. Contudo,
apesar de ganhos de competitividade, a participação do produto
industrial brasileiro manteve-se estagnada, evidenciando
seu baixo dinamismo. E, quanto à inserção brasileira no
comércio internacional, a estrutura da pauta de exportações
manteve-se praticamente inalterada e concentrada nos grupos
de menor dinamismo, principalmente no das commodities primárias.
A indústria manufatureira passou por um processo
generalizado de entrada do capital estrangeiro. Os fluxos
de investimento estrangeiro direto, entretanto, estiveram
mais concentrados em alguns setores de atividades: alimentos
e bebidas, produtos químicos, máquinas e equipamentos, materiais
eletrônicos e veículos automotores. Esses cinco setores concentraram
uma média anual de 70% dos fluxos que entraram na indústria
manufatureira brasileira no período 1996-2005. O objetivo
do trabalho da pesquisadora Marina Filgueiras Jorge é avaliar
se houve transbordamento de produtividade, ou transferência
de conhecimento tecnológico a partir da presença de empresas
transnacionais nesses cinco setores da indústria brasileira
no período de 1998 a 2003.
O trabalho evidencia o que o senso comum
acredita, a existência de vantagens competitivas, em termos
de produtividade, das multinacionais aqui instaladas, em relação
às empresas domésticas. Entretanto, esse desempenho não significou
transferência de conhecimentos tecnológicos das multis para
as domésticas.
Portanto, defende a autora, é necessário
estimular as empresas nacionais a desenvolverem sua capacitação
tecnológica e melhor interagirem com o ambiente institucional.
É que, no Brasil, os investimentos em atividades de inovação
ainda são vistos com cautela pelo empresariado.
Como conclusão do trabalho, destaca-se que o transbordamento
de produtividade não é resultado automático da presença de
empresas estrangeiras no país. Ou seja, a política de atração
de investimento estrangeiro não pode ser considerada suficiente
como política tecnológica, pois os processos de absorção de
tecnologia e de mudanças estruturais não se configuram em
ambientes passivos de aprendizado.
Acesse o texto em http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/tds/td_1327.pdf
|